Pixel2 ao quadrado

 

Acácio de Carvalho, Selma Pereira

“Os pixéis são, inevitavelmente, associados às origens da arte digital, mas não se limitam a isso. São pertença das antigas imagens tipográficas, dos quadratins – unidade de medida utilizada em tipografia, que define a proporção do comprimento e altura da letra, em relação ao tamanho do ponto da fonte escolhida – e das picas – medida de distância tradicional na tipografia anglo-saxónica. Na linguagem plástica o quadrado é uma das formas primárias, a par do triângulo equilátero e do círculo, e é justamente esta forma básica que compõe o pixel.”

A instalação Pixel2 foi apresentada em Julho de 2016, no Festival Paratissima (Lisboa), no âmbito do Retiro Doutoral de Média-Arte Digital, Universidade Aberta, e no espaço InVitro, no Palácio da Ceia-Universidade Aberta, em Lisboa.

A inauguração do Pixel2  no InVitro, no dia 12 de Dezembro de 2016, contou ums conversa com os artistas e com performances (organizado pela Dra. Ângela Saldanha) da turma da Prime School, Primary Students – Y1 to Y6 com o Professor Fábio Machado, da performer Carla Martins, e da turma de 12º ano do Curso Profissional de Artes do Espectáculo-Interpretação, da Escola D. Pedro V, com o Professor Vitor Sesinando.

“A instalação – que tomou como referência conceptual e formal as origens da arte digital, obriga o espectador a uma deslocação e interacção visando ampliar e expandir percepção e a experimentação das diferentes componentes da obra.

A sua apresentação no INVITRO consagra um programa de divulgação e mediação dos trabalhos de investigação e criação desenvolvidos pelos alunos do DMAD da Universidade Aberta, trazendo a público a inovação e investigação num campo híbrido de desenvolvimento artístico, criativo e tecnológico.”in INVITRO (http://invitrolab.eu/pixel2-apresentacao-e-artist-talk/).

 

Testemunho de Fábio Machado sobre a performance da inauguração de Pixel2  no INVITRO, publicado em https://www.facebook.com/liirsummers87/posts/1157415014355433

 

 

“Hoje tenho muitos agradecimentos para fazer. É um dia de muita gratidão. Porque recebi um chapéu. Um chapéu que protege a cabeça mas também que a enfeita, que guarda esse sítio onde por magia, a nossa magia, as ideias se formam e depois se libertam. Pois hoje foi um dia em que muitas ideias se soltaram, um dia no qual as ideias das crianças conviveram com as ideias dos não-tão-crianças. O pixel que germinou na cabeça de dois artistas, contaminou artistas, contaminou professores, alunos, instituições, contaminou vidas, e deu hoje um grande fruto coletivo. Os meus alunos participaram e foi-lhes permitido aprender num contexto real, num contexto livro, além daquilo que é expectável na escola. Transcendemos o pixel institucional e ascendemos à partilha com os outros. Conhecemos outras obras e perspectivas e criámos a nossa. Refletimos sobre obras onde o pixel era a unidade, criamos obras onde o pixel era a unidade, criámos pixels para serem a unidade de obras e por fim criámos peças livres do pixel e com elas retornamos ao pixel e as vestimos. Construímos, desconstruímos e reconstruímos, numa espiral de expressão e aprendizagem. Estou grato pela experiência e pela oportunidade.

Assim, agradeço à Universidade Aberta por se abrir aos outros e por permitir que diferentes níveis de educação convivam e se contaminem. Obrigado ao Acácio de Carvalho e à Selma Pereira pelo artefacto que criaram e pela abertura que lhe deram para que outros o pudessem explorar de tantas formas diferentes. Obrigado ao professor Amílcar Martins por ser o nosso eterno mestre de cerimónias, sempre no epicentro da ação(e pelo chapéu, claro). Um grande obrigado aos meus companheiros de ação, sempre tão desafiadores e inspiradores, Carla Martins e Victor Sezinando . Obrigado ao Vitor Pirespela disponibilidade e genialidade na sua ajuda produtiva. Como é claro, um grande obrigado a essa força criativa e mobilizadora que é a Angela Saldanha , pelo convite, pelo desafio e pela aceitação, que tanto nos tem trazido e acrescentado. E por fim, um tremendo obrigado aos meus alunos e aos alunos do Victor, sem os quais nada disto seria possível ou teria o mesmo interesse. É por vocês que o fazemos.

Obrigado a todos por nos fazerem espreitar para dentro da caixa e por isso perceber que estamos fora dela.” Fábio Machado